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Bisarro

Olaria preta

#olaria

O Bisarro tem a sua origem no barro preto de Bisalhães, valorizando esta arte e as pessoas que a praticam. Procura a conjugação harmoniosa entre o tradicional e o moderno, através de novos caminhos que valorizem e impulsionem o Design português.

Renato Rio Costa e Micael Bacelar Pereira, contam-nos como está a ser o crescimento desta marca que surgiu “enquanto projecto sócio-cultural, fortemente ligado às raízes artesanais e criativas, num período em que as artes menores são cada vez mais valorizadas.”

“A olaria preta é uma arte secular passada entre gerações de artesãos que se dedicam à produção e comercialização de peças utilitárias e decorativas.”

Esta olaria é hoje considerada património cultural imaterial pela UNESCO. “Com isto, o conceito Bisarro baseia-se na forte simbiose entre os diferentes mundos do design e o do artesanato, de onde resultam ideias e produtos únicos.“

1. Da ideia à concretização quanto tempo demorou?            

A marca é relativamente recente, contando com apenas 3 anos. No entanto, a sua ideia germinou nos tempos académicos do seu fundador, Renato Rio Costa, que munido da experiência adquirida no mundo da cerâmica, decidiu tornar realidade este projeto. Naturalmente, a sua concretização passou por várias fases de adaptação e evolução, etapas que ainda não estão concluídas, visto ser um dos caracteres representativos do Bisarro.

2. Pretendem valorizar e dinamizar a arte da olaria preta de Bisalhães?             

Actualmente existem apenas quatro oleiros a exercer esta actividade na região e sem grandes prospecções de passagem de testemunho, trata-se portanto, de uma arte em grande risco de extinção. É algo deveras importante: existe uma arte secular que se encontra em perigo. É com isso em mente, que o Bisarro se propõe a tentar reavivar a olaria preta de Bisalhães, pretendendo levar esta arte a novos rumos e criar novas oportunidades comerciais mantendo a forte tradição.

3. Mas sempre com uma perspetiva de modernização e introdução de novos conceitos?

Sendo a evolução algo inerente ao Design, é natural que sejam partilhadas novas ideias. Porém, é algo a ser encarado com cautela, sendo que estamos a falar de um choque cultural entre duas formas diferentes de encarar o produto, por um lado temos o Design que se concentra, entre outras coisas na produção industrial, tendências e normas a ser respeitadas. Por outro, temos o artesanato em que cada peça é diferente, o conhecimento é passado de geração em geração e goza de uma liberdade criativa e formal.

4. Como trabalham as coleções? Que periodicidade?

O Design do Bisarro procura sempre a harmoniosa conjugação entre o tradicional e o moderno procurando novos caminhos que valorizem e impulsionem o Design português. Para isso procuramos conjugar a nossa matéria base, o barro preto, com outros recursos bem nacionais como a cortiça, a latoaria, curtume, etc. Novas coleções são idealizadas depois de uma vasta pesquisa sobre a demanda do público e de todo o processo necessário à sua produção. Devido a estas irregularidades do mercado não podemos tabelar um período entre novas colecções.

5. O que mais vos entusiasma neste projeto?

O Bisarro não é só um estúdio de Design. O Bisarro é uma ideologia, uma forma de representar e dar a conhecer ao mundo os valores do que é feito no interior de Portugal. Desta forma sentimos um enorme orgulho de podermos fazer aquilo que gostamos na mesma terra que nos viu crescer. Acrescentarmos a isso a possibilidade de fazer parte na revitalização de uma arte património da humanidade, algo que nos dá muito alento.

6. O que ambicionam para o futuro da Bisarro?

Neste momento é imperativo o crescimento da marca a nível comercial, de forma a ser possível dar resposta às necessidades urgentes da olaria de Bisalhães. Depois, talvez alargar esta arte centenária a outros campos do design.

Quem faz parte deste projeto?

A ideia original do Bisarro, enquanto projeto focado na olaria preta de Bisalhães, foi impulsionada por dois Designers: Renato Rio Costa e Daniel Pera tendo este último deixado o projeto. À posteriori, foi sucedido pelo Designer Micael Bacelar Pereira.

Renato Rio Costa, Designer de 26 anos, natural de Vila Real, Licenciado em Design Industrial na Universidade da Beira Interior e mestre em Design Gráfico na ESAD das Caldas da Rainha, teve a oportunidade de trabalhar em duas agências de Design e mais recentemente trabalhou na SPAL Porcelanas de Alcobaça, onde adquiriu valiosos conhecimentos e experiência do mundo da cerâmica.

Micael Bacelar Pereira, Designer de 22 anos, natural de Vila Real, Licenciado em Design Industrial na Universidade da Beira Interior. Depois de várias colaborações com o Bisarro entrou no projeto numa fase de reestruturação da marca, contribuindo com conhecimentos e ideias próprias de uma nova geração de Designers.

Transa Cooperativa Cultural, CRL
Centro Cultural Regional de Vila Real
Largo de São Pedro, 3
5000-651 Vila Real, Vila Real
Portugal

Créditos fotografia: Lino Silva – O Revelador ©

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